O ministro da Justiça da Irlanda, Jim O’Callaghan, declarou que proibir a deportação de crianças tornaria o sistema de imigração “insustentável”. A afirmação ocorre após a deportação de 35 pessoas para a Nigéria na quarta-feira (5), incluindo cinco menores e nove mulheres, terceiro voo fretado usado para deportações neste ano.
Argumentos do governo
Segundo O’Callaghan, impedir a deportação de menores geraria um “impacto significativo”:
“Caso introduzíssemos essa regra, a Irlanda se tornaria uma exceção na Europa”, afirmou. “As pessoas saberiam que, ao entrar com crianças, jamais seriam removidas, independentemente do resultado do pedido de asilo.”
Além disso, enfatizou a necessidade de consequências: “Para um sistema funcional, é fundamental que haja rigor com quem está ilegalmente, seja por visto expirado ou asilo negado.” Do contrário, todo o processo perde sentido.”
Investimento e posicionamento
O voo fretado custou €324,7 mil (R$ 1,8 milhão), valor classificado como “bom custo-benefício”. Sobre as famílias afetadas, o ministro foi direto: “Uma ordem de deportação deve ser cumprida. Mesmo com crianças, é preciso organizar a partida”.
Contrapontos da oposição
Entretanto, Eoin O’Broin, parlamentar do partido Sinn Féin, criticou falhas estruturais:
“Primeiramente, ninguém pode esperar três a cinco anos por uma decisão”, destacou, referindo-se a atrasos crônicos.
Em seguida, condenou condições “precárias” de acomodação para requerentes de asilo.
Por fim, defendeu que deportações após recusa em apelação sejam feitas com “segurança e compaixão”.
O impasse
Enquanto o governo insiste que o rigor é vital para sustentar o sistema migratório, a oposição cobra eficiência aliada a direitos humanos. O debate expõe o desafio de equilibrar controle fronteiriço e proteção a menores, ponto que permanece como principal foco de tensão na política irlandesa.
