A Agência Internacional de Energia(IEA) alertou que a Europa pode ter combustível para aviões por apenas algumas semanas. A preocupação surge após o bloqueio no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo no mundo.
O diretor da agência, Fatih Birol, afirmou que, se a situação persistir, voos poderão ser cancelados em breve por falta de combustível.
Impacto global da crise no Oriente Médio
Segundo Birol, a interrupção no fornecimento de petróleo e gás representa uma crise energética de grandes proporções. Ele destacou que o problema pode afetar diretamente o crescimento econômico e pressionar a inflação em diversos países.
O impacto deve atingir combustíveis, gás e eletricidade, com aumento generalizado de preços. Países da Ásia, como Japão, Índia e China, estão entre os mais expostos no curto prazo, mas os efeitos também devem chegar à Europa e às Américas.
Falta de combustível pode começar em maio
O ACI Europe(organização que representa os aeroportos da Europa) já havia alertado a Comissão Europeia sobre o risco de escassez ainda no início de maio. A entidade afirma que o problema pode surgir caso petroleiros não retomem a travessia pelo Estreito de Ormuz.
Antes da crise, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo passava por essa rota. Desde o início do conflito envolvendo o Irã, o fluxo foi drasticamente reduzido.
Situação varia entre países e aeroportos
A disponibilidade de combustível não é uniforme na Europa. Países como Áustria, Polônia e Bulgária ainda possuem reservas mais confortáveis. Já Reino Unido, Países Baixos e Islândia enfrentam um cenário mais delicado.
Especialistas apontam que aeroportos menores, especialmente fora dos grandes centros, tendem a ser mais afetados. O economista Rico Luman, do banco ING(banco multinacional de origem holandesa), avalia que o impacto não deve causar paralisação total, mas pode levar ao cancelamento parcial de voos.
Companhias aéreas enfrentam incerteza
As empresas do setor ainda têm pouca previsibilidade para planejar suas operações. A Airlines for Europe(associação que representa as principais companhias aéreas da Europa) pediu à União Europeia mais transparência sobre os níveis de combustível nos aeroportos.
A associação reúne companhias Aéreas como Air France-KLM, Lufthansa e Ryanair. O objetivo é melhorar o planejamento diante de um cenário instável.
Risco de problemas mais graves no abastecimento
A Total Energies(uma das maiores empresas de energia do mundo, com sede na França) informou que poderá enfrentar dificuldades para atender todos os clientes caso o bloqueio continue até junho.
O presidente da empresa, Patrick Pouyanne, afirmou que uma interrupção prolongada pode comprometer o fornecimento de produtos essenciais, incluindo o combustível de aviação.
Alternativas enfrentam barreiras
Uma das propostas discutidas é a importação de combustível dos Estados Unidos. No entanto, diferenças regulatórias e questões logísticas dificultam a implementação dessa solução no curto prazo.
Enquanto isso, o setor aéreo segue em alerta, com o risco de novos cancelamentos e impactos diretos para passageiros em toda a Europa.
