O aumento dos custos de combustível, impulsionado pela crise no Oriente Médio, levou a KLM a cancelar 160 voos em toda a Europa no próximo mês. A medida ocorre às vésperas do período de férias de verão, quando a demanda por viagens cresce.
Os cortes atingem rotas com saída e chegada no Aeroporto Schiphol, em Amsterdã, incluindo voos para cidades como Londres e Düsseldorf(cidade localizada no oeste da Alemanha). As partidas e chegadas afetadas foram distribuídas de forma equilibrada.
A companhia afirma que não há falta de combustível de aviação. Segundo a empresa, a decisão responde exclusivamente ao aumento expressivo dos custos operacionais.
Companhia promete reacomodar passageiros
Em nota, a KLM informou que os passageiros afetados serão realocados para outros voos disponíveis. Como os destinos atingidos contam com várias frequências diárias, a empresa acredita que a maioria dos viajantes conseguirá embarcar sem grandes atrasos.
A companhia também projeta um período de férias movimentado e garante que trabalha para manter os planos de viagem dos clientes.
Crise global eleva pressão sobre o setor aéreo
Os cancelamentos ocorrem em meio a alertas de especialistas do setor de energia. O diretor da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, afirmou que interrupções em massa no transporte aéreo podem ocorrer se o Estreito de Ormuz(passagem marítima estratégica no Oriente Médio) permanecer fechado.
A região é estratégica para o abastecimento global. Cerca de 40% do combustível de aviação passa por essa rota, localizada no Golfo Pérsico. O bloqueio foi provocado após tensões envolvendo o Irã e ataques conduzidos por forças dos Estados Unidos e de Israel.
Fatih alertou que a continuidade da crise pode afetar o crescimento econômico e aumentar a inflação em diversos países.
Aeroportos já enfrentam dificuldades
A associação ACI Europe, que representa aeroportos europeus, informou que o reabastecimento pode se tornar crítico nas próximas semanas caso a rota comercial não seja reaberta.
Na Itália, alguns aeroportos já registraram problemas. O Aeroporto de Brindisi-Casale(localizado na cidade de Brindisi, no sul da Itália) relatou falta temporária de combustível, segundo informações locais.
Outras companhias também reduzem operações
A crise também afeta outras empresas aéreas. A British Airways anunciou o encerramento definitivo da rota entre Londres Heathrow e Jeddah, na Arábia Saudita, a partir de abril. A companhia operava quatro voos semanais desde o fim de 2024.
Já a Skybus cancelou todos os voos entre Londres Gatwick e Newquay após queda na demanda e aumento nos custos de combustível.
Impactos vão além das viagens
Especialistas alertam que os efeitos da crise podem atingir outros setores. A organização Medicines UK(organização que representa empresas farmacêuticas no Reino Unido) informou que pode haver escassez de medicamentos no sistema público de saúde britânico nas próximas semanas.
Também há preocupação com o abastecimento de alimentos. O bloqueio pode afetar o fornecimento de dióxido de carbono, essencial para conservação de alimentos e processos industriais.
O professor Tim Lang, da Universidade de Londres, afirmou que o Reino Unido tem pouca capacidade de armazenamento de alimentos, o que aumenta a vulnerabilidade em cenários de crise.
Setor aéreo enfrenta cenário de incerteza
A KLM destacou que os cancelamentos representam cerca de 1% da sua malha europeia. Ainda assim, a decisão reforça a preocupação do setor com o aumento dos custos e possíveis novas interrupções.
Com a proximidade do verão europeu, cresce o receio de mais cancelamentos e atrasos, o que pode impactar milhões de passageiros.

Jornalista e Criador de Conteúdo
Lucas Costa nasceu em Niterói (RJ) e vive na Irlanda desde 2019. Jornalista e publicitário, também é formado em Negócios Internacionais. Atua como colunista no Irlanda News e integra o Metrovoz, onde traz notícias da Irlanda e do mundo. Tem interesse especial por literatura e é apaixonado por artes.
