quarta-feira, abril 15, 2026

500 postos de gasolina irlandeses podem ficar sem combustível até o final da noite

500 postos de gasolina irlandeses podem ficar sem combustível até o final da noite

A crise de combustíveis na Irlanda pode deixar até 500 postos de gasolina sem abastecimento até sexta-feira à noite, caso os bloqueios continuem. A associação do setor alertou para o risco crescente, enquanto protestos com carreatas lentas intensificam a pressão sobre o governo.

Motoristas e agricultores organizam esses comboios de veículos para protestar contra o aumento dos preços dos combustíveis, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Bloqueios afetam trânsito e economia

Os protestos chegaram ao quarto dia consecutivo e já impactam diversas regiões da República da Irlanda. Manifestantes utilizam caminhões, tratores e vans para bloquear estradas estratégicas, o que agrava o trânsito e compromete a logística nacional.

Autoridades do governo irlandês se reúnem com representantes do setor para tentar conter a crise. Enquanto isso, mais de 100 postos já ficaram sem combustível, segundo Kevin McPartlan, diretor da Fuels for Ireland.

O primeiro-ministro Micheál Martin afirmou que os bloqueios colocam o país “à beira de recusar petróleo” em meio a uma crise global de abastecimento. Ele também destacou que a situação prejudica diretamente a economia e a sociedade.

Governo reage e endurece discurso

O governo irlandês aumentou a pressão sobre os manifestantes. Autoridades mobilizaram a polícia e ergueram barricadas em áreas críticas, como nas proximidades do parlamento em Dublin.

Além disso, o governo colocou o exército em estado de prontidão para garantir o cumprimento da lei. O ministro da Justiça alertou que participantes dos bloqueios podem enfrentar consequências legais, incluindo penalidades relacionadas às licenças de condução.

Ao mesmo tempo, o ministro Timmy Dooley reconheceu o direito ao protesto pacífico, mas criticou os bloqueios, afirmando que eles prejudicam comunidades e ultrapassam limites aceitáveis.

Manifestantes prometem manter pressão

Os organizadores dos protestos não demonstram intenção de recuar. O agricultor John Dallon afirmou que as manifestações podem durar semanas, caso o governo não apresente soluções concretas.

Segundo ele, os participantes estão preparados para continuar mobilizados pelo tempo necessário. Manifestantes exigem medidas como redução de impostos, controle de preços do diesel e apoio financeiro ao setor agrícola e de transporte.

Relatos indicam que alguns líderes não conseguiram participar de reuniões oficiais, o que aumentou a tensão entre governo e manifestantes.

Impactos nos serviços e no dia a dia

Os bloqueios já afetam serviços essenciais e o cotidiano da população. Estradas importantes, incluindo trechos da rodovia M50, enfrentam interdições. Diversos condados registram interrupções significativas no tráfego.

O Aeroporto de Dublin orienta passageiros a chegarem com antecedência devido às dificuldades de acesso. Já a empresa DPD Ireland anunciou a suspensão temporária de entregas no país.

O sistema de saúde também sofre impactos. Autoridades pediram que acessos a hospitais permaneçam livres, após relatos de consultas canceladas e prejuízos ao atendimento de pacientes.

A origem da crise de combustíveis

O aumento acelerado nos preços do diesel e da gasolina desencadeou os protestos. O conflito no Oriente Médio afetou o fluxo global de petróleo, especialmente após a interrupção no Estreito de Ormuz, rota estratégica para cerca de 20% do comércio mundial da commodity.

Na Irlanda, o preço do diesel subiu rapidamente, passando de cerca de €1,70 para mais de €2,17 por litro em poucas semanas. A gasolina também registrou aumentos significativos.

Diante desse cenário, caminhoneiros, agricultores e estudantes relatam dificuldades para arcar com os custos crescentes.

O que os manifestantes exigem

Os protestos começaram na terça-feira e rapidamente ganharam força. Os participantes pedem ações imediatas do governo para conter os preços.

Entre as principais reivindicações estão:

  • Redução ou eliminação do imposto sobre carbono
  • Estabelecimento de um teto para o preço do diesel
  • Apoio financeiro para agricultores e transportadores

Segundo os manifestantes, os custos atuais são insustentáveis e ameaçam setores essenciais da economia.

 

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