O conflito no Oriente Médio, intensificado após ataques liderados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, completa um mês marcado por tensão e impactos globais. Mesmo diante da instabilidade, muitos irlandeses que vivem na região optam por permanecer, enquanto outros anteciparam o retorno ao seu país de origem.
Conflito gera crise consular e apreensão
Desde o início das ofensivas, milhares de pessoas foram afetadas no Irã, enquanto mercados globais enfrentam oscilações no preço de combustível, alimentos e outros produtos. Mais de 19 mil cidadãos irlandeses registraram presença em países do Golfo junto ao Departamento de Relações Exteriores.
Segundo o governo irlandês, cerca de 14 mil ainda permanecem na região. A situação foi classificada como a maior crise consular enfrentada pelo país desde a pandemia de Covid-19.
Retornos antecipados e planos interrompidos
Alguns irlandeses decidiram deixar o Oriente Médio diante do cenário incerto. É o caso de Ben Currums, de 21 anos, que trabalhava no setor imobiliário em Dubai. Após dez meses na cidade, ele optou por retornar à Irlanda.
Apesar de afirmar que não se sentia inseguro, Currums relata que os alertas frequentes e o clima de tensão influenciaram sua decisão. A instabilidade no mercado imobiliário também pesou. Ele pretende voltar à região quando a situação estiver mais estável.
De acordo com Sarah Owen, do projeto Crosscare Irish Diaspora Support, houve aumento na procura por informações de pessoas planejando regressar à Irlanda. Em muitos casos, tratam-se de indivíduos que já cogitavam voltar e decidiram antecipar esse plano.
Permanência reforça sentimento de pertencimento
Por outro lado, há quem escolha ficar. A professora Sheila Byrne, de 38 anos, vive em Abu Dhabi há mais de uma década e afirma não ter intenção de retornar neste momento.
Ela destaca que a organização e a comunicação do governo dos Emirados Árabes Unidos contribuíram para que se sentisse segura. Apesar da preocupação da família, Byrne acredita que sua vida está estabelecida na região, tanto profissional quanto pessoalmente.
Segundo ela, retornar à Irlanda representaria um retrocesso financeiro significativo. A docente afirma que não conseguiria manter o mesmo padrão de vida, além de enfrentar dificuldades relacionadas à estabilidade no emprego.
Rotina adaptada e impactos no cotidiano
A professora Keira Collins, colega de Byrne, também vive em Abu Dhabi e descreve o início do conflito como emocionalmente desgastante. Alertas frequentes durante a noite e mudanças na rotina escolar marcaram o período inicial.
Alguns irlandeses chegaram a deixar temporariamente a região, viajando por terra até Omã antes de retornar à Irlanda. Outros optaram por aguardar ou seguir com a rotina adaptada, incluindo aulas online e mudanças no calendário escolar.
Vida segue, apesar das tensões
Nem todos sentiram necessidade de partir. O músico Joe Sheahan, que vive em Dubai há cinco anos, afirma que sua rotina segue praticamente normal. Ele continua se apresentando e não percebeu impactos significativos no trabalho.
Segundo Sheahan, a principal diferença foi a redução no movimento em áreas turísticas. Ainda assim, ele destaca o sentimento de segurança e afirma não conhecer irlandeses que tenham retornado definitivamente por causa do conflito.
O músico também demonstrou solidariedade ao povo iraniano, ressaltando a hospitalidade que sempre encontrou entre cidadãos do país.
