terça-feira, julho 28, 2026

Irlanda: Médico cola pálpebras de menina por acidente durante atendimento

Irlanda: Médico cola pálpebras de menina por acidente durante atendimento

Um caso envolvendo um erro durante um atendimento hospitalar infantil foi analisado pela Justiça da Irlanda. Uma menina, que atualmente tem oito anos, teve as pálpebras coladas acidentalmente enquanto um médico tratava um corte acima de seu olho esquerdo. O episódio ocorreu quando ela tinha apenas quatro anos e provocou momentos de grande sofrimento para a criança e sua família.

Durante audiência no Tribunal Civil do Circuito, a advogada Anita Finucane afirmou que a situação foi extremamente traumática. Segundo ela, o excesso de cola cirúrgica utilizado no procedimento acabou escorrendo para o olho da paciente, fazendo com que as pálpebras ficassem completamente unidas.

Como aconteceu o acidente no hospital

De acordo com os relatos apresentados ao tribunal, o acidente aconteceu em agosto de 2022. A criança sofreu um ferimento acima do olho esquerdo após bater a cabeça em uma mesa de madeira na residência da família.

Sua mãe, Caroline Feeney, enfermeira pediátrica, realizou os primeiros socorros utilizando curativos adesivos para conter o sangramento antes de levá-la ao setor de emergência do Hospital Crumlin, em Dublin.

No hospital, a equipe médica decidiu fechar o corte utilizando cola cirúrgica. Entretanto, a aplicação excessiva do produto fez com que parte da substância escorresse para o olho da menina.

Tratamento exigiu repetidas lavagens oculares

Após o incidente, os médicos precisaram iniciar imediatamente um procedimento de irrigação ocular para tentar remover a cola. Segundo o depoimento apresentado em juízo, aproximadamente três litros de solução foram utilizados na tentativa de eliminar o excesso do material.

Mesmo assim, a criança precisou passar por quatro sessões de irrigação para que as pálpebras fossem finalmente separadas.

Em seguida, ela foi encaminhada ao Hospital Infantil Temple Street, onde recebeu atendimento especializado devido à preocupação de que o acidente pudesse causar danos permanentes à visão.

Durante cerca de seis semanas, a menina utilizou colírios antibióticos quatro vezes ao dia como parte do tratamento.

Consequências físicas e emocionais

Além do desconforto causado pelo procedimento, parte da cola permaneceu aderida às sobrancelhas da criança por um período. Alguns cílios inferiores acabaram se desprendendo porque ficaram colados entre si.

Quando retornou à escola, nove dias após o ocorrido, a menina se sentiu bastante envergonhada com sua aparência. Alguns cílios cresceram voltados para dentro do olho, aumentando ainda mais o incômodo durante a recuperação.

A advogada destacou que todo o processo foi emocionalmente desgastante para a criança, especialmente pelas sucessivas tentativas de limpeza do olho.

Justiça aprova acordo de indenização

A ação judicial foi movida contra a Children’s Health Ireland por meio da mãe da menina. A instituição é responsável pela administração dos serviços de emergência pediátrica destinados a pacientes com menos de 15 anos atendidos no Hospital Crumlin.

Durante a audiência, foi informado que a Children’s Health Ireland apresentou uma proposta de acordo no valor de 15.000 mil euros como indenização pelos danos sofridos. A defesa recomendou a aceitação da oferta.

Ao analisar o caso, a juíza Sinéad Ní Chúlachain observou que a criança teve sorte por não apresentar sequelas permanentes na visão. Considerando esse fator, a magistrada homologou o acordo, classificando o valor como compatível com os parâmetros adotados para casos de lesões oculares temporárias.

Em uma breve conversa durante a audiência, a menina afirmou que já não se recordava das experiências vividas no hospital.

 

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