quarta-feira, setembro 2, 2026

Funcionários públicos da Irlanda apoiam possível greve

Funcionários públicos da Irlanda apoiam possível greve

Milhares de funcionários públicos da Irlanda deram forte apoio à possibilidade de uma greve em meio ao impasse nas negociações sobre salários com o Governo.

Em uma votação realizada pela Fórsa, sindicato que representa servidores públicos e trabalhadores do setor público na Irlanda, 96% dos participantes aprovaram medidas trabalhistas, incluindo uma possível greve em larga escala.

Com isso, o resultado aumenta a pressão sobre o Governo para que apresente uma nova proposta de reajuste salarial.

96% dos membros da Fórsa apoiam possível greve

O secretário-geral da Fórsa, Kevin Callinan, afirmou que o resultado pode representar a maior votação sobre greve já realizada na Irlanda.

Além disso, a participação chegou a 72% entre os mais de 80 mil trabalhadores que participaram da consulta.

Callinan também afirmou que a Fórsa pretende manter contato com outros sindicatos ligados ao ICTU, principal central sindical da Irlanda, que reúne diferentes entidades de trabalhadores, para discutir possíveis medidas conjuntas.

Enquanto isso, a votação da Fórsa ocorreu poucos dias depois de uma consulta realizada pelo SIPTU, sindicato que representa trabalhadores do setor público e de outras áreas na Irlanda.

Na segunda-feira, por sua vez, 97% dos integrantes do SIPTU votaram a favor de uma greve, enquanto 98% apoiaram outras formas de mobilização trabalhista.

Ao todo, 19 sindicatos que representam trabalhadores do serviço público estão realizando consultas semelhantes. O movimento começou depois que as primeiras negociações para um novo acordo salarial com o Governo terminaram sem avanço em junho.

Sindicatos querem nova proposta de salários

Os sindicatos negam que estejam se recusando a negociar com o Governo.

Nesse sentido, Callinan afirmou que não é correto dizer que as entidades não estão dispostas ao diálogo. Segundo ele, uma eventual greve provavelmente só começaria no fim deste mês.

A principal reivindicação dos trabalhadores é que o Governo apresente uma proposta salarial considerada mais adequada.

O acordo anterior terminou no fim de junho. Durante esse período, os servidores públicos receberam reajustes que, somados, chegaram a 10,25%.

Desde então, sucessivos acordos vêm sendo utilizados para definir os salários dos funcionários públicos na Irlanda, uma prática que começou após o período de recessão.

O vice-secretário-geral do SIPTU, Adrian Kane, disse que o sindicato pretende conversar com outras entidades para definir quais medidas serão adotadas para pressionar o Governo a retomar negociações efetivas.

Segundo Kane, os sindicatos estão disponíveis para negociar um novo acordo há meses. No entanto, na avaliação dele, o Governo não teria demonstrado disposição suficiente para avançar.

Além disso, ele afirmou que existe forte insatisfação entre os trabalhadores representados pelo sindicato.

Greves podem atingir diferentes setores

A pressão não está restrita à Fórsa e ao SIPTU.

Na semana passada, o Unite, sindicato que representa trabalhadores de diferentes setores na Irlanda, alertou para a possibilidade de greves durante o inverno caso o Governo não apresente uma proposta salarial considerada significativa.

Da mesma forma, a entidade que representa os agentes penitenciários da Irlanda informou que 99% de seus membros apoiam greves e outras formas de paralisação.

Segundo a entidade, essas medidas poderão ser suspensas caso o Governo apresente uma proposta considerada clara e confiável para tratar dos salários e acompanhar a evolução do custo de vida.

Por outro lado, os representantes dos sindicatos ligados ao comitê de serviços públicos do ICTU afirmaram que, neste momento, não existe uma base considerada suficiente para o início de negociações formais com o Governo.

Inflação aumenta pressão por reajustes

Um dos principais argumentos dos sindicatos é o aumento do custo de vida.

Embora nenhuma reivindicação salarial específica tenha sido apresentada até agora, as entidades afirmam que a inflação chegou a 3,6% em maio.

Na avaliação dos sindicatos, o avanço dos preços reduziu o impacto de dois reajustes que, juntos, representaram 2% e foram pagos neste ano dentro do acordo salarial anterior.

Por isso, os trabalhadores argumentam que a perda de poder de compra aumenta a necessidade de um novo acordo.

Governo diz que não fará acordo a qualquer custo

O ministro responsável pelos gastos públicos na Irlanda, Jack Chambers, afirmou que o Governo não pretende fechar um novo acordo salarial a qualquer custo.

Segundo Chambers, qualquer acordo precisa ser financeiramente sustentável e levar em consideração tanto os trabalhadores quanto a capacidade de pagamento dos contribuintes.

Em comunicado, o Departamento responsável pelos gastos públicos afirmou que o Governo continua disposto a conversar com o ICTU e outras organizações que representam trabalhadores do serviço público.

Ao mesmo tempo, o Governo lamentou que não tenha sido possível chegar a um novo acordo nas últimas semanas.

A expectativa é que as negociações sejam retomadas depois do encerramento das votações realizadas pelos sindicatos.

Caso não haja avanço nas conversas, os resultados das consultas aumentam o risco de uma série de greves e paralisações no serviço público da Irlanda.

Lucas Costa

Lucas Costa
Jornalista e Criador de Conteúdo

Lucas Costa nasceu em Niterói (RJ) e vive na Irlanda desde 2019. Jornalista e publicitário, também é formado em Negócios Internacionais. Atua como colunista no Irlanda News, onde traz notícias da Irlanda e do mundo. Tem interesse especial por literatura e é apaixonado por artes.

LinkedIn

Related posts

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *