segunda-feira, julho 27, 2026

Médico condenado por estupro na Irlanda recebe 10 anos de prisão

Médico condenado por estupro na Irlanda recebe 10 anos de prisão

Médico é preso por estupro, controle coercitivo e agressão à esposa.
O homem de 46 anos se declarou culpado das acusações de agressão com lesão corporal, mas negou duas acusações de estupro e uma de controle coercitivo.

 

Um médico de 46 anos foi condenado a 10 anos de prisão na Irlanda após ser considerado culpado por estupro, controle coercitivo e agressões físicas contra a própria esposa durante um período de aproximadamente três anos.

A condenação ocorreu após julgamento no Tribunal Criminal Central de Sligo. O réu reconheceu apenas as acusações relacionadas às agressões que causaram lesões corporais, mas negou os dois crimes de estupro e a acusação de controle coercitivo. Após análise das provas, o júri decidiu pela condenação.

Relacionamento marcado por controle e isolamento

Segundo os relatos apresentados durante o processo, o casal se conheceu no Sudão, se casou em 2010 e teve três filhos. A família se mudou para a Irlanda em 2017, quando o médico passou a trabalhar em diferentes hospitais regionais.

Enquanto o marido desenvolvia sua carreira profissional, a esposa permaneceu em casa cuidando dos filhos, principalmente porque sua formação não foi reconhecida no país. As frequentes mudanças de cidade, relacionadas aos empregos do médico, contribuíram para o afastamento da mulher de sua rede de apoio.

Durante o julgamento, a vítima afirmou que era submetida a constantes insultos, restrições de liberdade e controle financeiro. Ela relatou que o marido utilizava o silêncio como forma de punição e dizia que sua função era apenas cuidar da casa e dos filhos.

De acordo com o depoimento, a situação de abuso afetou profundamente sua saúde emocional, causando crises de ansiedade, ataques de pânico e perda de autoestima.

Condenação envolve dois episódios de estupro

As acusações de estupro julgadas pelo tribunal estavam relacionadas a dois episódios ocorridos entre 2018 e 2019.

No primeiro caso, a mulher relatou que foi violentada durante o período do Ramadã, quando estava em jejum. Segundo seu depoimento, ela recusou a relação sexual, mas foi empurrada para a cama e sofreu o abuso.

Em outro episódio, ela afirmou que o marido insistiu em manter relações sexuais mesmo após sua negativa e novamente cometeu o crime.

Além dos casos de violência sexual, o tribunal analisou diferentes episódios de agressão física. Entre eles, estavam uma agressão com um notebook, após uma discussão sobre o equipamento, e um soco na testa durante uma briga relacionada ao descarte de lixo.

A vítima também relatou que foi mordida na mão durante uma discussão envolvendo questões financeiras.

Filhos presenciaram episódios de violência

Parte das agressões ocorreu na presença dos três filhos do casal. Em uma das ocasiões, a mulher chegou a procurar uma delegacia para denunciar o comportamento do marido, mas afirmou aos policiais que retornaria para casa.

Segundo os relatos apresentados ao tribunal, o médico acompanhou a esposa até o local e, naquele momento, ela escondeu os ferimentos.

Posteriormente, a situação foi comunicada à Tusla, agência irlandesa responsável pela proteção de crianças e famílias, que encaminhou as informações à Garda, a polícia nacional da Irlanda. Após a investigação, o médico foi preso.

Juiz destaca gravidade dos crimes

Durante a audiência de sentença, a vítima apresentou uma declaração sobre os impactos causados pelos abusos. Ela afirmou que fez diversos esforços para preservar o casamento e proteger a família, mas que os acontecimentos afetaram sua confiança e seu bem-estar emocional.

O juiz Sean Gillane afirmou que os crimes representaram uma grave violação de confiança e ocorreram dentro de um contexto prolongado de controle coercitivo e violência doméstica.

O médico está suspenso do exercício profissional desde julho de 2024. A pena inicial estabelecida foi de 12 anos de prisão, mas acabou reduzida para 10 anos devido à ausência de antecedentes criminais e à consideração sobre sua trajetória profissional.

Onde buscar ajuda para violência sexual e doméstica na Irlanda

Pessoas que enfrentam situações de violência sexual, abuso doméstico ou controle coercitivo podem procurar serviços especializados de apoio na Irlanda.

A Linha Nacional de Apoio a Vítimas de Estupro oferece atendimento 24 horas pelo telefone 1800-77 8888. O serviço também disponibiliza opções de contato por mensagens e atendimento online pelo Rape Crisis Help.

Em situações de emergência ou risco imediato, a orientação é ligar para 999 ou 112.

Vítimas de violência doméstica também podem procurar a Women’s Aid, que oferece suporte gratuito 24 horas pelo telefone 1800-341 900 e pelo e-mail helpline@womensaid.ie.

Homens vítimas de violência podem buscar assistência junto à Men’s Aid Ireland, pelo telefone confidencial 01-554 3811 ou pelo e-mail hello@mensaid.ie.

A SafeIreland reúne informações sobre serviços de apoio disponíveis em diferentes regiões do país. Em casos de perigo imediato, o contato com os serviços de emergência deve ser feito pelos números 999 ou 112.

Fonte: breakingnews.ie

Lucas Costa

Lucas Costa
Jornalista e Criador de Conteúdo

Lucas Costa nasceu em Niterói (RJ) e vive na Irlanda desde 2019. Jornalista e publicitário, também é formado em Negócios Internacionais. É colunista do Irlanda News e editor do blog de notícias Metrovoz, onde publica notícias sobre a Irlanda e o mundo. Tem interesse especial por literatura e é apaixonado por artes.

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