sexta-feira, julho 3, 2026

Intercambistas seguem sem aulas após paralisação da Student Campus

Intercambistas seguem sem aulas após paralisação da Student Campus

Estudantes e professores internacionais realizaram um protesto em Limerick contra o aparente fechamento de uma escola de inglês na cidade.
Os alunos não frequentam as aulas no Student Campus Limerick há três semanas. Foto: RTÉ

Centenas de estudantes de intercâmbio ainda não têm previsão para retomar os estudos após a paralisação das atividades da Student Campus, escola de inglês localizada em Limerick, na região centro-oeste da Irlanda. O fechamento repentino da instituição gerou uma crise que atinge não apenas as aulas, mas também a vida financeira, acadêmica e migratória de alunos e professores.

Além dos estudantes já matriculados e frequentando as aulas, outras centenas de alunos que já haviam pago pelos cursos, mas ainda não viajaram para a Irlanda, também foram afetados pela interrupção.

Funcionamento normal antes da suspensão

Até o início de junho de 2026, a Student Campus funcionava normalmente. As aulas aconteciam sem interrupções e não havia sinais públicos de problemas administrativos ou financeiros.

Em 10 de junho, a direção comunicou a suspensão temporária das atividades por dois dias, alegando obras emergenciais no sistema de abastecimento de água do prédio localizado na Patrick Street, no centro de Limerick. Pouco depois, novos avisos passaram a justificar o adiamento da retomada com falhas no fornecimento de energia elétrica e internet.

Na sequência, a instituição informou que realizava uma revisão de “questões operacionais”, com apoio jurídico e financeiro, para avaliar a continuidade das atividades. Ainda assim, as aulas não voltaram a acontecer.

Falta de comunicação agrava a crise

Após a suspensão, estudantes relatam que perderam completamente o contato com a escola. E-mails, ligações telefônicas e mensagens por WhatsApp não receberam resposta.

Alguns alunos afirmam ainda que a instituição bloqueou usuários em seus canais oficiais nas redes sociais, o que aumentou a insegurança sobre o futuro da escola.

Segundo veículos da imprensa irlandesa, os responsáveis pela Student Campus também ignoraram tentativas de contato feitas por jornalistas e órgãos locais.

Nova gestão aponta problemas financeiros

A nova administração informou que assumiu o controle da Student Campus em 2 de junho de 2026. Os gestores afirmam que a compra ocorreu de boa-fé, mas dizem ter encontrado problemas financeiros e operacionais durante a transição, que não teriam sido informados pela gestão anterior, ligada a Azad Kalam.

A crise afeta cerca de 250 estudantes que já estavam em Limerick e outros 300 alunos que haviam pago pelos cursos, mas ainda não viajaram para a Irlanda. Aproximadamente 35 funcionários também foram impactados, com relatos de salários em atraso desde abril.

Professores relatam colapso repentino

O professor Simon Deevy disse que a escola operava normalmente pouco antes da paralisação.

“Há três semanas, tínhamos uma equipe muito boa e um ambiente de trabalho excelente. Em poucos dias, tudo desmoronou”, afirmou.

Ele também destacou os impactos na situação migratória dos estudantes, já que as informações de presença e desempenho acadêmico são enviadas regularmente às autoridades de imigração na Irlanda.

Falhas no Learner Protection preocupam estudantes

Outro ponto de preocupação envolve o Learner Protection (mecanismo obrigatório de proteção aos estudantes internacionais em caso de fechamento ou interrupção das atividades de uma instituição de ensino).

Alguns alunos afirmam que pagaram pela cobertura, mas o serviço não teria sido ativado corretamente.

Uma estudante relatou ter confirmação da Academy Plus Insurance Brokers (corretora de seguros especializada em educação internacional na Irlanda) de que seu cadastro existia, mas que o valor não havia sido repassado pela escola. A corretora também disse não ter sido informada oficialmente sobre o fechamento.

Posteriormente, a nova gestão informou que a proteção seria feita via Progressive College Network (rede de escolas e colleges privados na Irlanda que atuam com estudantes internacionais). No entanto, a instituição teria perdido a filiação em 28 de maio de 2026, e nenhuma nova cobertura foi emitida desde então.

O Departamento de Educação Superior e Continuada da Irlanda afirmou que a Student Campus fazia parte da Interim List of Eligible Programmes (ILEP), lista oficial de instituições autorizadas a receber estudantes internacionais fora do Espaço Econômico Europeu (EEA). Por isso, era obrigada a manter mecanismos de proteção aos alunos.

Incerteza sobre vistos aumenta pressão

A situação também levanta dúvidas sobre a permanência legal dos estudantes na Irlanda. Isso porque a manutenção do visto depende da matrícula ativa e da frequência em uma instituição reconhecida pelo governo.

Sem funcionamento da escola, alunos precisam ser transferidos para outras instituições autorizadas. No entanto, segundo a Progressive College Network, não há vagas suficientes em Limerick para absorver todos os afetados.

Protestos pedem respostas e soluções

Protesto em frente a uma faculdade na rua Patrick, em Limerick. Foto: Brendan Gleeson
Estudantes protestaram em frente à escola de inglês Student Campus, na cidade de Limerick, na Irlanda. Foto: Brendan Gleeson

Sem respostas da instituição, estudantes e professores realizaram um protesto no dia 26 de junho em frente à sede da Student Campus, na Patrick Street, em Limerick.

A manifestação reuniu alunos do Brasil, Argélia e Mongólia, que afirmam estar há cerca de três semanas sem aulas. O grupo cobrou esclarecimentos, reembolso das mensalidades, continuidade dos estudos e garantia da situação migratória.

Os estudantes também buscaram apoio do Irish Council for International Students (Conselho Irlandês para Estudantes Internacionais), do Departamento de Justiça, autoridades de imigração, embaixadas e representantes políticos.

ICOS pede informações urgentes ao governo

O Conselho Irlandês para Estudantes Internacionais(ICOS) reforçou a preocupação com o caso durante reunião virtual que reuniu cerca de 150 participantes, entre estudantes e funcionários.

A diretora executiva da entidade, Orla Lehane, destacou que estudantes internacionais têm menos redes de apoio e precisam de respostas rápidas.

Segundo ela, foram levantadas dúvidas sobre o Learner Protection, mensalidades pagas, continuidade dos cursos e situação migratória dos alunos.

“O que queremos é garantir informações claras sobre aulas, taxas e imigração”, afirmou.

Casos individuais revelam impacto humano

Entre os relatos está o da brasileira Gabriella, que chegou à Irlanda poucos dias antes do início das aulas e encontrou a escola fechada, sem qualquer aviso prévio.

“Estou muito preocupada. Quero estudar inglês, melhorar meu inglês e ficar legalmente no país”, disse.

Outra estudante brasileira, Cristina Rohling, contou que fazia seu segundo curso de inglês na Irlanda e já havia pago um exame de proficiência. Com o fechamento da escola, ela afirma que poderá ter prejuízo financeiro e necessidade de refazer o exame.

Plano tenta reabrir a escola

Após a repercussão do caso, a Progressive College Network anunciou um plano de contingência para reabrir a Student Campus com apoio financeiro da Academy Plus, corretora de seguros especializada em educação internacional na Irlanda.

A proposta mantém os contratos dos estudantes e prevê o retorno dos funcionários. A antiga administração continua responsável pelos salários em atraso.

Ainda não há data definida para a retomada das aulas.

Enquanto isso, os estudantes seguem sem respostas sobre o retorno às atividades, a situação dos vistos e possíveis reembolsos pelos prejuízos causados pelo fechamento da instituição.

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