A Irlanda anunciou a proibição da entrada de dois importantes ministros israelenses no país. A medida atinge o Ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, e o Ministro das Finanças, Bezalel Smotrich.
Segundo o governo irlandês, a decisão foi tomada devido às declarações e ações dos dois políticos em relação aos palestinos. Além disso, autoridades apontam o apoio deles a políticas que poderiam resultar na expulsão de palestinos de seus territórios.
Primeiro-ministro irlandês critica posições dos ministros
Na sexta-feira, o primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, confirmou a medida. Ele afirmou que Ben-Gvir e Smotrich defenderam posições extremas sobre a questão palestina.
De acordo com Martin, as declarações dos ministros demonstram o desejo de eliminar a presença palestina em sua própria terra. Por isso, o governo decidiu restringir a entrada de ambos no país.
Defesa da anexação de territórios gera condenações
Tanto Ben-Gvir quanto Smotrich têm defendido repetidamente a anexação de territórios palestinos por Israel. Além disso, os dois políticos já manifestaram apoio à remoção de palestinos da Faixa de Gaza.
Como resultado, organizações de direitos humanos e diversos governos estrangeiros passaram a condenar suas declarações e propostas. Consequentemente, a pressão internacional sobre os ministros aumentou nos últimos anos.
Caso da flotilha humanitária também foi citado
O governo irlandês também mencionou o tratamento dado a ativistas pró-Palestina envolvidos em uma flotilha de ajuda humanitária destinada a Gaza.
Nesse contexto, Ben-Gvir recebeu críticas após divulgar um vídeo nas redes sociais. Nas imagens, ele aparece zombando de ativistas detidos. Os manifestantes estavam ajoelhados, vendados e com as mãos amarradas.
Segundo autoridades irlandesas, esse episódio contribuiu para a decisão de impor restrições ao ministro.
Ministério da Justiça confirma restrição
Em comunicado oficial, o Ministério da Justiça da Irlanda informou que o ministro Jim O’Callaghan determinou a adoção da medida.
Assim, agentes de imigração foram orientados a negar a entrada de Ben-Gvir e Smotrich caso eles tentem ingressar no território irlandês.
Histórico político de Ben-Gvir e Smotrich
Ben-Gvir assumiu o cargo de ministro em 2022. Sua ascensão ocorreu após uma aliança eleitoral com o partido Sionista Religioso, liderado por Smotrich, alcançar a terceira colocação nas eleições legislativas israelenses.
Enquanto isso, Smotrich se tornou conhecido por defender abertamente a anexação da Cisjordânia ocupada. O ministro, que vive em um assentamento israelense considerado ilegal sob o direito internacional, também já declarou que pretende impedir a criação de um Estado palestino.
Atualmente, ambos são figuras centrais da coalizão de direita liderada pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.
Irlanda defende sanções da União Europeia
Durante uma cúpula realizada em Montenegro, Micheál Martin afirmou que as medidas adotadas pela Irlanda podem não ser suficientes.
Segundo ele, o comportamento dos dois ministros israelenses também justificaria sanções em toda a União Europeia. No entanto, o premiê reconheceu que obter consenso entre os países do bloco pode ser um desafio.
Apesar disso, o governo irlandês pretende levar o tema para debate nas instituições europeias.
Irlanda mantém postura crítica em relação a Israel
Desde o início da guerra em Gaza, a Irlanda tem se destacado como uma das vozes mais críticas às ações israelenses.
Além disso, em 2024, o país reconheceu oficialmente o Estado palestino. A decisão provocou uma forte reação de Israel, que posteriormente determinou o fechamento de sua embaixada em Dublin.
Outros países também adotaram restrições
A Irlanda não é o único país europeu a impor medidas contra Ben-Gvir e Smotrich.
Anteriormente, Grã-Bretanha, Espanha e Eslovênia também restringiram a entrada dos dois ministros em seus territórios. Além disso, no mês passado, a França anunciou a proibição da entrada de Ben-Gvir no país.
Dessa forma, cresce o número de nações europeias que adotam medidas diplomáticas em resposta às posições defendidas pelos dois integrantes do governo israelense.
