O Hospital Ortopédico Nacional da Irlanda informou a Antoinette Burke que sua filha Katie, de 16 anos, diagnosticada com paralisia cerebral, não terá mais acesso a consultas ou tratamentos com um cirurgião após ela registrar uma queixa formal contra o profissional no Conselho Médico. A decisão, comunicada por carta, deixou a jovem sem opções de tratamento no país para complicações graves como luxação dos quadris e pélvis retrógrada (deslocamento da articulação do quadril e inclinação pélvica para trás). Conforme especialistas, essas condições podem confiná-la definitivamente a uma cadeira de rodas.
Risco de artrite e falta de financiamento
Katie também enfrenta displasia coxofemoral (má formação do quadril) e fêmur torcido, fatores que aumentam o risco de artrite no quadril e escoliose. No entanto, o sistema público de saúde irlandês (HSE) recusou financiar uma cirurgia nos EUA, onde o renomado cirurgião Dr. Paley, do Instituto Paley (Flórida), oferece um procedimento especializado. Com custo total estimado em € 300 mil, incluindo viagem e recuperação, mas a família iniciou campanhas online para arrecadar o valor.
Polêmica com cirurgião e retaliação
A crise começou após Antoinette relatar ao Conselho Médico a conduta de um cirurgião irlandês que, segundo ela, insinuou que o tratamento nos EUA “era motivado apenas por dinheiro”. A mãe acusa o hospital de retaliar sua denúncia: “Reclamei do padrão de tratamento, e agora minha filha está banida do HSE. Em uma loja, ninguém te proíbe de voltar por reclamar”, desabafou.
Repercussão política e protesto
Enquanto isso, o caso ganhou destaque no Seanad (Senado irlandês). A senadora Sharon Keogan criticou a falta de apoio estatal: “Nenhuma família deveria criar uma vaquinha online para salvar a vida de um filho”. Determinada, Antoinette promete marchar de Cork a Dublin para pressionar autoridades: “Não vou desistir até que alguém ajude Katie”.
Hospital se limita a nota genérica
Em resposta às acusações, o Hospital Ortopédico Nacional Cappagh afirmou, em nota padrão, que “não comenta casos individuais” e que “valoriza o feedback dos pacientes”.
