terça-feira, setembro 15, 2026

Irlanda avalia importar gás dos EUA para reserva de GNL

Irlanda avalia importar gás dos EUA para reserva de GNL

Irlanda avalia importar gás natural liquefeito dos EUA

A Irlanda estuda importar gás natural liquefeito (GNL) do Novo México, estado localizado no sudoeste dos Estados Unidos, para abastecer um futuro terminal de emergência no condado de Clare. A proposta reacende o debate sobre a segurança energética do país e sobre o uso de gás produzido por fraturamento hidráulico.

Irlanda negocia fornecimento de gás com o Novo México

A governadora do Novo México, Michelle Lujan Grisham, liderou uma delegação que se reuniu na semana passada com o ministro da Energia da Irlanda, Darragh O’Brien, o ministro de Estado Neale Richmond e David Kelly, presidente-executivo da Gas Networks Ireland, empresa estatal responsável pela operação e manutenção da rede de gás natural da Irlanda.

Durante o encontro, os representantes discutiram a possibilidade de estabelecer uma parceria de longo prazo para o fornecimento de gás natural liquefeito.

A Associação Independente de Petróleo do Novo México informou que as conversas trataram da criação de uma relação duradoura de abastecimento. Segundo a entidade, representantes irlandeses demonstraram disposição para avaliar seriamente a possibilidade de importar GNL do estado americano.

As negociações ocorrem em um momento de preocupação com o futuro do abastecimento energético da Irlanda. Atualmente, o país depende do Reino Unido para cerca de 80% de suas necessidades de gás natural. Essa dependência aumenta os riscos caso ocorra uma interrupção no fornecimento.

Terminal de Shannon deve funcionar como reserva de emergência

O projeto de GNL de Shannon, previsto para Cahiracon, uma localidade no condado de Clare, às margens do rio Shannon, funcionará como uma reserva de gás para situações de emergência.

A estrutura poderá fornecer gás à Irlanda caso uma interrupção afete o abastecimento vindo do Reino Unido.

O governo irlandês prevê que o terminal entre em operação em 2030. A iniciativa busca reduzir os riscos provocados pela falta de uma reserva nacional de gás para situações de emergência.

A Irlanda está entre os poucos países da União Europeia que ainda não contam com esse tipo de reserva. Em 2023, uma avaliação nacional sobre os riscos à segurança energética já havia alertado para a vulnerabilidade do país devido à sua dependência do gás natural importado.

Gás de xisto volta ao centro do debate energético

O Novo México possui grandes reservas de gás de xisto, principalmente nas bacias de San Juan e do Permiano. A Bacia do Permiano se estende também pelo estado do Texas.

Empresas da região utilizam o fraturamento hidráulico, conhecido como fracking, para retirar parte desse gás do subsolo.

O processo utiliza água e outros fluidos em alta pressão para criar pequenas fissuras nas rochas subterrâneas. Essas fissuras permitem a liberação do gás natural, que depois chega à superfície para ser coletado e processado.

O método recebe críticas de grupos ambientais por causa dos possíveis impactos sobre a água, o solo e o clima. Na Irlanda, o governo proibiu o fraturamento hidráulico em 2017, em meio a preocupações ambientais.

Quatro anos depois, em 2021, o governo também proibiu a importação de gás produzido por meio dessa técnica enquanto avaliava os riscos relacionados à segurança energética.

Mais tarde, as autoridades retiraram essa restrição, abrindo novamente a possibilidade de importar gás produzido por fraturamento hidráulico.

Governo aprova estrutura flutuante para armazenar GNL

No ano passado, o governo irlandês aprovou a utilização de uma Unidade Flutuante de Armazenamento e Regaseificação(processo de transformação física do gás natural do estado líquido para o estado gasoso) conhecida pela sigla FSRU.

A estrutura funciona como um grande navio capaz de receber e armazenar GNL. Quando necessário, o equipamento transforma o gás novamente em seu estado gasoso para que ele possa entrar na rede nacional de distribuição.

Segundo a Gas Networks Ireland, a unidade de emergência terá capacidade para armazenar gás suficiente para atender às necessidades do país durante sete dias.

A empresa estima ainda que esse volume poderia abastecer cerca de 200 mil residências durante seis meses, de acordo com os parâmetros apresentados para o projeto.

O Departamento de Clima, Energia e Ambiente confirmou que a antiga política que impedia a importação de gás produzido por fraturamento hidráulico deixou de vigorar.

Mesmo com essa mudança, o governo não definiu o Novo México como fornecedor exclusivo.

As autoridades informaram que comprarão o GNL por meio de um processo público de contratação aberto a fornecedores de diferentes partes do mundo. Dessa forma, empresas internacionais poderão apresentar propostas para fornecer o combustível necessário para abastecer a FSRU.

A Gas Networks Ireland também confirmou que definirá o fornecedor após a conclusão desse processo de contratação.

Segurança energética continua sendo um desafio

A possibilidade de importar gás dos Estados Unidos mostra o desafio enfrentado pela Irlanda para conciliar a transição energética com a necessidade de manter um fornecimento seguro e estável.

Embora o país avance em seus compromissos relacionados à redução das emissões e à transição para fontes de energia mais limpas, o gás natural ainda desempenha um papel importante no abastecimento energético nacional.

Uma eventual parceria com o Novo México ainda depende de decisões do governo e do processo de contratação do GNL.

Por enquanto, as negociações mostram que a Irlanda busca novas alternativas para garantir o fornecimento de gás e fortalecer sua segurança energética nos próximos anos.

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