A derrota por 3 a 0 para a República da Irlanda deixou um clima de forte tensão no lado israelense. Depois de uma partida marcada por protestos, críticas e discussões dentro e fora de campo, jogadores e parte da imprensa de Israel reagiram duramente ao resultado e à postura da seleção irlandesa.
A Irlanda resolveu o jogo ainda no primeiro tempo, com gols de Troy Parrott, Adam Idah e Jack Moylan. Os três gols saíram em apenas 11 minutos, e Israel não conseguiu encontrar uma resposta para a superioridade irlandesa.
Mas, depois do apito final, o futebol acabou ficando em segundo plano.
“Nós os odiamos”, diz capitão de Israel
O capitão israelense Manor Solomon, atacante do West Ham, não escondeu a irritação ao falar sobre os jogadores irlandeses.
“Obviamente, eles nos odeiam. Nós não gostamos deles”, afirmou Solomon. O jogador também disse que já estava pensando no próximo encontro entre as equipes, marcado para 4 de outubro, na Sérvia.
“Será um jogo completamente diferente”, declarou.
Solomon ainda fez uma defesa enfática de Israel, afirmando que seu país é forte e que ele e seus companheiros têm orgulho de ser israelenses, de seu país e de seus soldados.
O atacante também afirmou que preferia não revelar tudo o que pensa sobre os jogadores irlandeses, alegando que poderia ser suspenso pela UEFA caso falasse abertamente.
Daniel Peretz critica jogadores irlandeses
O goleiro Daniel Peretz também entrou na discussão. Segundo ele, alguns jogadores irlandeses demonstraram interesse em compreender a situação envolvendo Israel, enquanto outros, em sua avaliação, não quiseram se informar.
“É tudo ignorância”, afirmou.
Peretz disse ainda que cada jogador tem o direito de decidir se quer ou não se envolver com o assunto, mas defendeu que a seleção israelense deveria voltar suas atenções para o futebol.
Na avaliação do goleiro, esse foi justamente um dos principais problemas apresentados pela equipe durante a derrota para a Irlanda.
Tensão antes mesmo do início da partida
A tensão entre as duas seleções já estava evidente antes de a bola rolar.
Durante o hino nacional de Israel, os jogadores irlandeses permaneceram de cabeça baixa. O capitão da Irlanda, Dara O’Shea, também não cumprimentou Manor Solomon antes nem depois do sorteio para definir os lados do campo.
Os jogadores irlandeses também usaram braçadeiras pretas durante a partida, em uma referência às vítimas da guerra entre Israel e Hamas.
O gesto provocou forte reação entre setores da imprensa israelense.
Imprensa israelense dispara contra a Irlanda
Parte da imprensa israelense reagiu de maneira especialmente dura à postura irlandesa.
Um veículo de comunicação chegou a classificar os jogadores da Irlanda com termos ofensivos e acusou a equipe de arrogância e desrespeito. Outro veículo afirmou que havia, entre os irlandeses, declarações que considerava antissemitas.
Em uma publicação citada pela imprensa israelense, a Irlanda foi acusada de demonstrar “arrogância” e “racismo”, enquanto os comentários de seus jogadores foram descritos como ofensivos e carregados de antissemitismo.
As acusações fazem parte da reação da imprensa israelense após a partida e não devem ser confundidas com fatos comprovados de forma independente.
Alegação de discussão entre Jake O’Brien e Solomon
A tensão também teria chegado ao campo.
Um veículo israelense afirmou que o zagueiro irlandês Jake O’Brien teve uma discussão com Manor Solomon após a partida. Segundo o relato, O’Brien teria dito ao capitão israelense que ele deveria sentir vergonha pelo que Israel estaria fazendo em Gaza e que merecia perder.
Ainda de acordo com esse relato, Solomon teria respondido dizendo para o jogador “ser homem” e falar diretamente com ele.
A conversa foi relatada pela imprensa israelense, mas a versão apresentada não foi confirmada de forma independente.
O episódio ganhou ainda mais atenção porque O’Brien entregou sua camisa após o jogo a um grupo de torcedores irlandeses que estava no estádio.
FAI nega acusação de ofensa racial
Outra acusação envolvendo um jogador irlandês também apareceu após a partida. Segundo um relato divulgado por um veículo israelense, um jogador da Irlanda teria chamado um adversário de “macaco”.
A Federação Irlandesa de Futebol, FAI, negou categoricamente a acusação.
Ao mesmo tempo, surgiu uma denúncia diferente, desta vez envolvendo torcedores israelenses.
O meio-campista Jayson Molumby afirmou ter ouvido cânticos que considerou racistas contra jogadores negros da seleção irlandesa. Ele chamou a atenção do árbitro alemão Harm Osmers e do quarto árbitro Florian Exner durante a partida.
A UEFA informou posteriormente que não poderia abrir uma investigação porque os protocolos previstos para uma denúncia desse tipo não foram seguidos durante o jogo. Segundo a FAI, Molumby pediu aos árbitros que prestassem atenção aos cânticos, mas não registrou formalmente que se tratava de um incidente racial.
Israel admite atuação fraca no primeiro tempo
Apesar de toda a discussão fora de campo, os próprios jogadores israelenses reconheceram que a equipe teve uma atuação muito abaixo do esperado.
Eliel Peretz admitiu que Israel não entrou bem na partida e foi castigado rapidamente pelos irlandeses.
“Não começamos bem a partida. Não estivemos presentes no primeiro tempo, não ganhamos as disputas e não fomos agressivos”, afirmou.
A sequência de gols da Irlanda deixou Israel em uma situação complicada ainda antes dos 25 minutos. Troy Parrott abriu o placar aos 14 minutos, Adam Idah ampliou dois minutos depois e Jack Moylan marcou o terceiro aos 25 minutos.
A própria seleção israelense reconheceu que não conseguiu reagir depois do início avassalador da Irlanda.
Solomon admite que a tensão pode ter pesado
Solomon também reconheceu que os acontecimentos que antecederam a partida podem ter influenciado a equipe.
Segundo o capitão israelense, os jogadores tentaram não pensar nas declarações feitas antes do confronto, mas admitiu que provavelmente não conseguiram deixar completamente o assunto de lado.
Ele afirmou que todos sabiam da importância da partida para Israel e que havia um forte desejo de conquistar a vitória. No entanto, segundo sua própria avaliação, esse sentimento não apareceu dentro de campo.
“Não jogamos bem no primeiro tempo”, reconheceu Solomon.
A Irlanda, por outro lado, aproveitou as oportunidades e construiu uma vantagem de três gols ainda na primeira etapa. O resultado marcou a primeira vitória irlandesa na campanha da Liga das Nações e aumentou ainda mais a tensão para o próximo encontro entre as seleções.
Irlanda e Israel voltam a se enfrentar em 4 de outubro, em Bačka Topola, na Sérvia. A partida será disputada com portões fechados.
