
O ex-advogado irlandês Michael Lynn, condenado por aplicar um golpe de 18 milhões de euros em bancos europeus, deve ser solto da prisão antes do Natal. Lynn, que já viveu com a família no Brasil, pretende retornar ao país para começar uma nova etapa longe do passado que o levou à condenação.
Nos últimos meses, o ex-investidor foi transferido da prisão de Mountjoy para a Shelton Abbey Open Prison, no Condado de Wicklow. A mudança marca a fase final de sua pena e antecede a soltura definitiva.
Pena reduzida e anos em prisão brasileira
Em dezembro de 2023, Michael Lynn foi sentenciado a cinco anos e meio de prisão por fraude e roubo. No entanto, o juiz considerou o período de quatro anos em que ele permaneceu detido no Brasil como parte da pena já cumprida.
Durante o tempo em território brasileiro, Lynn enfrentou condições severas. Ele relatou ter vivido sob ameaças de morte e testemunhou a decapitação de um colega de cela, episódio que lhe causou transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). O trauma foi reconhecido oficialmente durante o julgamento na Irlanda.
O ex-advogado chegou a afirmar que a prisão de Mountjoy parecia “um acampamento de férias” em comparação às prisões brasileiras, demonstrando alívio por ter sobrevivido à experiência.
Bom comportamento e apoio da família
Fontes do sistema penitenciário afirmam que Lynn tem sido um preso exemplar. Atualmente, ele cumpre regime semiaberto em Shelton Abbey, onde participa de programas de reintegração social.
“Michael se comportou bem, cumpriu a pena tanto no Brasil quanto na Irlanda, e deve ser solto antes do Natal, talvez até um pouco antes”, informou uma fonte ligada à administração prisional.
Durante toda a detenção, Lynn recebeu o apoio constante da esposa, Brid Murphy, que o visitava semanalmente com os quatro filhos do casal.
Novo começo no Brasil
Segundo pessoas próximas, o ex-advogado deseja retornar ao Brasil assim que for solto. Lá, ele pretende reconstruir a vida com a família, longe da notoriedade que ganhou após o escândalo financeiro.
Apesar de possíveis obstáculos legais e financeiros, amigos afirmam que Lynn está determinado a recomeçar. Durante o tempo em Mountjoy, ele chegou a trabalhar como chef de cozinha para a equipe da prisão, cargo geralmente reservado a detentos de confiança.
Condenado por fraudar seis instituições financeiras, Michael Lynn busca agora deixar para trás o passado de crimes e iniciar uma nova fase, possivelmente em solo brasileiro.
