O debate sobre imigração na Irlanda voltou ao centro das atenções depois que o padre Brendan Kilcoyne, pároco de Balla, no Condado de Mayo, defendeu que apenas imigrantes cristãos possam viver no país. Ele fez a declaração em seu podcast The Brendan Option, onde disse que a Irlanda está “lotada” e que o governo conduz a política imigratória de forma “mal administrada”.
Segundo Kilcoyne, o país recebe pessoas que não demonstram apreço pela cultura local. Ele afirmou que a sociedade trata os recém-chegados como hóspedes permanentes em vez de exigir que sigam os canais legais de entrada.
Argumentos e críticas às declarações
O padre apresentou o conceito de “imigração discriminatória” e explicou que, em sua visão, essa medida protegeria a identidade cultural da Irlanda e da Europa. Para ele, apenas cristãos deveriam receber autorização de residência.
Kilcoyne comparou a situação irlandesa com a do Reino Unido e alegou que cidades britânicas formaram zonas “proibidas” para autoridades civis. Especialistas, no entanto, consideram essa narrativa um mito de extrema direita. O terrorista Anders Breivik já utilizou o mesmo argumento em seu manifesto, e até políticos britânicos enfrentaram críticas severas e precisaram pedir desculpas após reproduzir a ideia.
Reação política e social
Embora reconheça que a extrema direita tenha pouca expressão na Irlanda, Kilcoyne disse que muitos trabalhadores se sentem ameaçados pelo aumento da imigração. Ele advertiu que um “líder carismático” poderia transformar esse medo em um “barril de pólvora”, pressionando partidos tradicionais a agir rapidamente.
Em outro episódio de seu podcast, o padre pediu orações pelos organizadores do festival Mise Éire. Mais de 2.000 pessoas já assinaram uma petição pelo cancelamento, mas Kilcoyne declarou que reza para que o evento aconteça sem impedimentos.
