Quatro partidos políticos, Sinn Féin, Social Democrats, Labour e People Before Profit-Solidarity, integrantes da campanha “Raise the Roof“(grupo de direitos humanos), anunciaram um protesto em frente ao parlamento irlandês (Leinster House) para 17 de junho, às 18h. O ato ocorrerá simultaneamente a uma moção parlamentar sobre a crise habitacional, que visa barrar propostas do governo para facilitar aumentos de aluguel. Atualmente, os valores já ultrapassam 2.000€ mensais em média, pressionando ainda mais uma população em situação crítica.
Líderes criticam “abandono do governo” e pressionam por mudanças
Eoin Ó Broin, porta-voz de habitação do Sinn Féin, destacou em coletiva a insatisfação popular: “Há raiva e frustração com um governo que abandonou as comunidades em questões essenciais, como moradia e saúde.” Sobre mudanças nas regras de proteção aos inquilinos, ele alertou: “Qualquer flexibilização enfrentará resistência massiva, não apenas dos partidos, mas de milhares de pessoas nas ruas.”
Além disso, Ó Broin criticou a pressão do setor imobiliário para elevar tetos de aluguel e eliminar restrições entre contratos. “Isso é inaceitável.” Reagiremos como fizemos contra as tarifas de água em 2017“, afirmou, referindo-se aos protestos que revogaram a taxa histórica.
Desespero popular e propostas radicais dividem opiniões
Marie Sherlock, deputada do Labour, ressaltou o cenário de desespero: “Muitos perderam a esperança, mas uma mudança radical na política habitacional é urgente.” Rory Hearne, do Social Democrats, classificou a crise como “catástrofe social” e defendeu a construção acelerada de casas populares: “Não há justificativa para aumentar aluguéis em meio a este caos”, disse ela.
Por outro lado, o deputado Paul Murphy, do People Before Profit-Solidarity, trouxe dados alarmantes: o número de pessoas em moradias de emergência saltou de 5 mil (2016) para 15 mil (2024). Segundo ele, “se nada mudar, até a próxima eleição, teremos 20 mil pessoas nessa situação, com aluguéis 40% mais altos.” Murphy acusou o governo de priorizar “proprietários, não o povo” e exigiu a declaração de emergência habitacional, com maior intervenção estatal.
Contexto histórico e próximos passos
A crise habitacional não é nova. Em 2017, por exemplo, protestos massivos forçaram o governo a abandonar as tarifas de água. Agora, os partidos de oposição esperam repetir o feito, pressionando por políticas que priorizem casas acessíveis em vez de lucros do setor imobiliário.
Enquanto isso, os detalhes da moção parlamentar serão divulgados após o protesto, marcando mais um capítulo na luta por moradia digna na Irlanda.
