domingo, abril 19, 2026

Cresce o número de mulheres em situação de rua em Limerick

Cresce o número de mulheres em situação de rua em Limerick

O crescimento do número de mulheres em situação de rua em Limerick tem preocupado autoridades e organizações sociais. Informações apresentadas a uma comissão do Oireachtas, o parlamento irlandês, revelam que a cidade passou a registrar mais mulheres do que homens vivendo nas ruas, um cenário inédito até então.

Entidades que atuam no atendimento a pessoas com dependência de drogas alertaram o Comitê Conjunto sobre o Uso de Drogas para a necessidade urgente de ampliar políticas públicas voltadas especificamente às mulheres em condição de vulnerabilidade.

Aumento expressivo e impacto do uso de crack

Segundo Jennifer Doyle, representante da instituição Novas, que presta assistência a pessoas em situação de rua, o avanço do problema é perceptível tanto no total de casos quanto na proporção de mulheres dentro da população atendida.

Dados recentes da equipe local responsável pelo acompanhamento da população sem moradia indicam que, pela primeira vez, o número de mulheres dormindo nas ruas superou o de homens. Para Doyle, trata-se de uma mudança significativa no perfil da crise social enfrentada pela cidade.

Ela destacou ainda que o aumento do consumo de crack tem agravado o cenário. A dependência tende a evoluir rapidamente, com impactos severos na saúde física e mental, além de ampliar os riscos de exploração e violência. Essa combinação dificulta o acesso a programas de recuperação e reinserção social.

De acordo com Doyle, muitas mulheres acabam expostas a situações extremas para sobreviver, como relacionamentos abusivos e troca de favores por abrigo ou sustento.

Relato de quem viveu a crise

Durante a audiência, o comitê ouviu também o depoimento de Nikki Hayes, ex-DJ da emissora pública RTÉ. Ela relatou sua trajetória marcada pelo alcoolismo e pela perda da moradia antes de conseguir iniciar o processo de recuperação.

Hayes contou que começou a beber ainda na infância e, por anos, manteve uma rotina que aparentava normalidade. Com a pandemia, segundo ela, a estrutura que sustentava sua vida entrou em colapso. Perdeu o emprego, a filha passou a morar com o pai e, pouco depois, ela se viu sem teto.

Sem qualquer experiência para lidar com a vida nas ruas, precisou aprender com outras pessoas em situação de rua onde conseguir alimentação, higiene e abrigo. Sobre a reconstrução de sua trajetória, afirmou que só foi possível porque encontrou serviços que a trataram com dignidade, como pessoa, e não como um caso exposto na mídia.

Para ela, a recuperação é viável, mas exige apoio consistente e acesso a serviços adequados.

Serviços femininos operam no limite

Anita Harris, vice-diretora de serviços da Coolmine Therapeutic Community, organização especializada em tratamento e reabilitação de dependência química, informou que 42% das mais de três mil pessoas atendidas pela instituição no último ano eram mulheres, o maior índice já registrado.

Os programas destinados ao público feminino funcionam com lotação máxima permanente. A procura supera amplamente a oferta de vagas, o que gera uma fila de espera contínua que inclui gestantes e mães com crianças pequenas.

Pedido por mais investimentos e políticas específicas

Profissionais da área defenderam que o governo priorize recursos para ampliar serviços direcionados às mulheres dependentes de drogas. Entre as medidas consideradas essenciais estão programas de acolhimento com estrutura para mães e apoio ao cuidado infantil, permitindo que elas mantenham vínculo com os filhos durante o tratamento.

Especialistas reforçam que enfrentar o crescimento do número de mulheres em situação de rua em Limerick exige políticas públicas estruturadas, financiamento adequado e abordagem sensível às necessidades femininas. Sem isso, a tendência é que a crise social se aprofunde.

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