Autoridades de imigração dos Estados Unidos detiveram uma cidadã irlandesa residente na Califórnia, Cliona Ward, após ela retornar de uma viagem a Cork, onde visitou o pai em estado terminal. A família revelou ao programa Prime Time que o caso pode demorar meses para chegar aos tribunais.
Cliona, portadora de green card, vive legalmente nos EUA há décadas. Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) a prenderam no início de maio, quando ela voltava da Irlanda. Sua irmã, Tracey Ward, afirmou que as autoridades adiaram sua audiência judicial para agosto. “Primeiro marcaram 7 de maio, mas agora dizem que pode levar até agosto”, disse Tracey, em entrevista direto de West Cork.
Condições na detenção
Cliona permanece em um centro do ICE em Tacoma, Washington. Tracey descreveu o local como “absolutamente horrível” e relatou que a irmã sofre ao ver outras detidas separadas de filhos pequenos. “Ela está longe do próprio filho, mas ouvir histórias de mães com crianças em centros de detenção a destrói”, explicou.
Histórico criminal revisitado
O ICE justificou a detenção com base em condenações de mais de 20 anos, envolvendo posse de drogas e infrações de trânsito. Cliona acreditava que o estado da Califórnia havia apagado esses registros após ela cumprir a pena. No entanto, autoridades federais não reconhecem a anulação.
“Ela cumpriu tudo o que a Justiça pediu, reconstruiu a vida e se tornou uma líder na comunidade. Nunca avisaram que o governo federal ignoraria a limpeza do seu histórico”, criticou Tracey.
Políticas migratórias sob crítica
A família acusa o governo de aplicar regras mais duras desde janeiro, herdadas da era Trump, que penalizam até portadores de green card com passado criminal antigo. Após uma breve libertação em Seattle, Cliona viajou a São Francisco para apresentar documentos comprovando a eliminação dos registros. Agentes a prenderam novamente no aeroporto.
“Algemaram e acorrentaram ela em público, como se fosse uma criminosa perigosa”, indignou-se Tracey.
Contexto ampliado
Cliona viajou à Irlanda sem problemas por 20 anos. A demora na audiência judicial reflete o acúmulo de casos semelhantes sob políticas migratórias rigorosas. A situação expõe conflitos entre leis estaduais e federais nos EUA e o custo humano de medidas que separam famílias.
