Após mais de duas décadas de negociações, os países da União Europeia deram um passo decisivo para a aprovação do acordo comercial com o Mercosul. Na sexta-feira, uma maioria qualificada de Estados-membros manifestou apoio ao tratado, abrindo caminho para a criação de uma das maiores áreas de livre comércio do mundo.
Apesar do avanço, o acordo não alcançou consenso total. França, Polônia, Áustria, Irlanda e Hungria votaram contra, enquanto a Bélgica optou pela abstenção. A Itália, que havia solicitado o adiamento da decisão no mês anterior, acabou votando a favor.
Votação formal e apoio político em Bruxelas
Com a decisão informal tomada pelos embaixadores em Bruxelas, as capitais europeias ainda dispõem de prazo até as 17h da sexta-feira para registrar eventuais objeções e formalizar a votação. Esse procedimento por escrito serve, sobretudo, para consolidar o respaldo político à aprovação já sinalizada no âmbito diplomático.
Além disso, os representantes dos países da UE também aprovaram salvaguardas adicionais para o setor agrícola. Essas medidas poderão entrar em vigor caso haja um aumento repentino das importações provenientes do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, protegendo produtores europeus mais sensíveis à concorrência externa.
Impacto econômico e dimensão geopolítica
O acordo UE-Mercosul deve abranger cerca de 700 milhões de pessoas, formando a maior zona de livre comércio já criada. Para Bruxelas, o tratado representa não apenas um avanço econômico, mas também uma vitória estratégica em um contexto de crescente presença da China no comércio internacional e na América Latina.
Ao mesmo tempo, o pacto surge em um cenário marcado pelo aumento de tarifas globais adotadas pelos Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump. Diante desse ambiente mais instável, tanto a Europa quanto países sul-americanos buscam maior previsibilidade nas relações comerciais.
Entre os setores europeus com potencial de ganhos destacam-se a indústria automotiva, a aviação, a fabricação de máquinas e as exportações agrícolas, especialmente produtos como vinho e queijo.
Próximos passos do acordo UE-Mercosul
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deverá viajar ao Paraguai na próxima semana para assinar formalmente o acordo. Embora o porta-voz da Comissão, Olof Gill, não tenha confirmado a agenda, ele afirmou que o foco atual permanece nos procedimentos em curso no Conselho da União Europeia.
Após a assinatura, o texto seguirá para votação no Parlamento Europeu. Além disso, partes do acordo que ultrapassam a política comercial precisarão da aprovação dos parlamentos nacionais dos Estados-membros.
Negociado ao longo de 25 anos, o acordo enfrentou diversos impasses. Em 2025, a União Europeia revisou o texto e destinou bilhões de euros em apoio aos agricultores europeus, que expressaram preocupação com a concorrência dos produtos sul-americanos.
