domingo, abril 19, 2026

Cúpula em Bogotá reunirá países contra ações de Israel

Cúpula em Bogotá reunirá países contra ações de Israel

Mais de 30 países se reunirão em Bogotá no dia 16 de julho para discutir medidas efetivas contra Israel. A iniciativa é liderada pela Colômbia e pela África do Sul, que copresidem o Grupo de Haia, bloco criado para exigir responsabilização legal e diplomática.

O que é o Grupo de Haia?

O Grupo de Haia surgiu em janeiro de 2024, na cidade de Haia (Países Baixos). Foi criado por oito países, entre eles Bolívia, Colômbia, África do Sul e Malásia. A proposta é clara: garantir que Israel responda por possíveis crimes cometidos contra o povo palestino. Desde então, o grupo tem atuado para coordenar medidas legais e políticas entre os países membros.

De acordo com o ministro sul-africano Roland Lamola, o grupo representa uma virada na resposta internacional. Segundo ele, “nenhuma nação está acima da lei, e nenhum crime deve ficar impune”.

Objetivos da cúpula

Durante a cúpula em Bogotá, os países pretendem aprovar medidas jurídicas, diplomáticas e econômicas. A meta é frear, com urgência, a destruição em Gaza. Além disso, a conferência busca reforçar o compromisso com a justiça internacional e combater a impunidade.

Segundo o vice-ministro colombiano Mauricio Jaramillo, o genocídio palestino representa uma ameaça ao sistema multilateral. Por isso, o evento marcará uma mudança de postura: de declarações simbólicas para ações práticas.

O genocídio em Gaza

Desde outubro de 2023, mais de 57 mil palestinos morreram nos ataques de Israel à Faixa de Gaza. Quase toda a população local foi forçada a deixar suas casas. Atualmente, mais de dois milhões de pessoas enfrentam a fome em um território praticamente destruído.

Diante desse cenário, a África do Sul entrou com uma ação contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça (principal órgão judicial das Nações Unidas). O país acusa o governo israelense de violar a convenção sobre o genocídio (uma das primeiras convenções das Nações Unidas a abordar questões humanitárias). Bolívia, Colômbia e Namíbia apoiaram o processo.

Além disso, a Malásia e a Namíbia barraram navios com armas destinadas a Israel. Já a Colômbia decidiu romper relações diplomáticas com o governo de Tel Aviv.

Reação da comunidade internacional

A coordenadora do grupo, Varsha Gandikota-Nellutla, explica que o movimento surgiu como resposta à omissão de muitos países. Segundo ela, diversos governos ignoraram mandados internacionais contra autoridades israelenses, como o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Outro fator que motivou a criação do grupo foi a recusa de Israel em cumprir ordens do Tribunal Internacional de Justiça. Entre elas, determinações para evitar violações da Convenção sobre Genocídio.

Participação brasileira e irlandesa

O Brasil estará presente na cúpula de Bogotá, ao lado de outros países latino-americanos. A Irlanda, que também participará, tem histórico de apoio a causas de autodeterminação. (A Irlanda do Norte, por exemplo, passou por décadas de conflito por independência e identidade nacional, o que aproxima a opinião pública irlandesa da causa palestina.)

Um novo caminho diplomático

De acordo com a relatora especial da ONU, Francesca Albanese, a conferência representa uma das ações políticas mais relevantes do momento. Para ela, é preciso romper o bloqueio a Gaza e desmontar o sistema que sufoca os palestinos. “Esta conferência pode entrar para a história como o momento em que os estados decidiram agir”, afirmou.

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