domingo, fevereiro 5, 2023

Tráfico humano: Itamaraty acompanha investigação do ‘sumiço’ de mineira nos EUA

Tráfico humano: Itamaraty acompanha investigação do ‘sumiço’ de mineira nos EUA

O Ministério das Relações Exteriores (MRE), através do Consulado-Geral do Brasil em Houston, nos EUA, comunicou a um veículo jornalístico Brasileiro ontem (17/10) que “está em comunicação estreita com as autoridades policiais norte-americanas encarregadas pela investigação” de tráfico humano que envolve duas brasileiras: a mineira Letícia Maia Alvarenga, de 21 anos, e Desirrê Freitas Silva, de 26, natural de São Paulo.

As duas cortaram laços com a família após se envolverem com a influenciadora digital Kat Torres, habitualmente conhecida como Kate A Luz. A suspeita é de que Kat tenha atraído as jovens para a prostituição.

Em nota enviada à imprensa Brasileira, o consulado informou que se colocou à disposição para prestar auxílio às duas brasileiras e seus familiares. Porém, não revelou informações detalhadas sobre o caso, argumentando “observância ao direito à privacidade e ao disposto na Lei de Acesso à Informação e no decreto 7.724/2012“.

 

“O MRE não poderá informar dados específicos sobre casos individuais de assistência a cidadãos brasileiros”, destacou o comunicado.

Ontem (17/10), a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que “há registro do sumiço de Letícia, e os pais dela foram ouvidos”. De acordo com a corporação, a Polícia Federal foi consultada e mencionou que há registro de desembarque dela no Aeroporto Internacional de Houston em 14 de maio deste ano.

A jovem aparece em um site de prostituição fornecendo o serviço de garota de programa em Austin, capital do Texas. Familiares de Desirrê também encontraram fotos da jovem na internet com a oferta de serviços sexuais.

A mineira Letícia está sumida desde abril deste ano, De acordo com informações fornecidas pelo pai dela, Cleider Castro Alvarenga, nas redes sociais.


De acordo o pai de Letícia, que reside em Perdões, no Sul de Minas Gerais, a filha, a princípio, localizava-se na cidade de Leander, no mesmo estado do país norte-americano. “Estamos desesperados. Se alguém tiver alguma informação, nos notifique. Peço também que compartilhem nas redes sociais e com pessoas que possam nos ajudar”, relatou em publicação no Instagram na última sexta-feira (14/10). Em outra postagem, ele suspeita que Letícia tenha sido vítima de tráfico humano.

Mudança para os EUA

A mudança de Letícia para os EUA, se deu devido a um programa de intercâmbio (au pair). O programa consiste em inserir uma pessoa dentro de uma família anfitriã norte-americana, por um ano, trabalhando como babá, e recebendo em troca acomodação, salário semanal bem como a oportunidade de viajar e estudar. Todavia, após conhecer Kate, ela cortou laços com os familiares.

Devido ao apelo popular nas redes, Kate informou na sexta-feira (14/10) que tanto Letícia quanto Desirrê estão bem, e não falam com suas famílias devido a relacionamentos abusivos. Ambas, posteriormente, gravaram vídeos reforçando as falas de Kate. Letícia, em especial, chegou a aparecer em uma live com a guru.

Letícia responsabiliza o pai por abuso sexual

Após o caso repercutir, a jovem afrontou a sua família em vídeos publicados no Instagram e incriminou o próprio pai, dizendo que ele abusou dela. “Quando eu era criança fui abusada pelo meu pai. Minha mãe sempre ia para a roça e eu ficava com meu pai. Então, era nesse tempo que tudo acontecia. Ele abusava de mim sexualmente. Minha mãe chegava em casa, eu falava o que aconteceu, e ela deixava para lá”, declarou ela, acrescentando que recebeu apoio em Kate para lidar com a situação.

É importante ressaltar que as publicações onde a família é afrontada não conseguiram convencer a maioria dos internautas. Nos comentários, muitas pessoas acreditam que Letícia foi induzida, de alguma forma, a gravar os vídeos. Em relação às postagens em texto, foi levantada a hipótese de que as mensagens tenham sido escritas pela coach(Kate).

Desirrê foi aliciada

No Twitter, um rapaz identificado como Matheus Rego diz que foi colega de classe de Desirrê – Junto com outros estudantes – e resolveu ajudar na procura por notícias dela. “Enquanto pesquisamos sobre Kate, descobrimos que Desirrê era uma seguidora fiel da coach. Ela aparecia em comentários, conversando com outros seguidores, também postando em seu Instagram como a Kate fez diferença em sua vida”, disse ele.

 

Uma página no instagram chamada Searching Desirrê, foi criada para obter informações sobre o paradeiro dela. A jovem não aparece em público desde 19 de setembro, o que levanta a suspeita de que ela esteja sob poder de uma traficante perigosíssima

Segundo Matheus Desirrê realmente apareceu no dia 19 daquele mês, todavia “escrevia igual a Kate nos posts”. “Neste dia, ela retomou a sua conta no WhatsApp e chamou alguns amigos ‘pedindo’ que cessasse as buscas, muito diferente de como age, pois, ela sempre fala por áudios”, informou.

Dois dias antes, a coach enviou para a página Searching Desirrê um vídeo no qual a jovem apela para que parem de procurá-la. No dia 18 do mesmo mês, Letícia também postou um vídeo em que, de forma bem agressiva, afirma que não quer contato com a sua família. Confira abaixo:

 

Tráfico humano na Irlanda

Global Slavery Index (2018) estimou que existem 8.000 vítimas de tráfico humano na Irlanda. No entanto, entre 2015 e 2019, a Garda identificou apenas 293 adultos e 25 crianças alvos de tráfico humano. Essas vítimas vêm principalmente de países como Nigéria, Romênia, Albânia e Quênia.

Apesar do fato de que várias vítimas de tráfico humano foram identificadas na Irlanda, não havia um processo bem-sucedido que pudesse punir esses crimes.

Em 2021, duas mulheres receberam penas de prisão de mais de cinco anos por tráfico de pessoas para fins de exploração sexual. Embora o tráfico humano possa e continue a ocorrer para fins de exploração sexual (como retratado em filmes como Taken ) , existem muitas formas de tráfico de pessoas, como tráfico de crianças, casamento forçado, trabalho escravo, atividades criminosas forçadas e remoção de órgãos.

O que diz a lei Irlandesa sobre o tráfico de pessoas?

A Irlanda estabeleceu uma lei específica de tráfico humano intitulada Lei de Direito Penal (Tráfico de Pessoas) de 2008 , que foi alterada pela Lei de Direito Penal (Tráfico de Pessoas) (Emenda) de 2013 . O governo irlandês, em seu Segundo Plano de Ação Nacional para Prevenir e Combater o Tráfico de Pessoas na Irlanda 2016 , reconheceu o tráfico de pessoas como uma questão complexa que envolve uma gama diversificada de vítimas e circunstâncias.

Apesar desta lei, a Irlanda tem sido aconselhada a fazer melhorias neste contexto. O país foi rebaixado em junho de 2020 para a Lista de Observação de Nível 2(lista de países de nível 2 cujos governos não cumprem totalmente os padrões mínimos de proteção as vítimas de tráfico humano) pelo Departamento de Estado dos EUA em seu relatório anual sobre Tráfico de Pessoas por não fornecer evidências de maiores esforços para combater formas graves de tráfico de pessoas. Lamentavelmente, esse status persistiu no ano de 2021 . 

Isso deixa claro que 124 países em todo o mundo estão atualmente classificados acima da Irlanda em termos de combate ao tráfico de pessoas.

A nível europeu, o Grupo de Peritos em Ação contra o Tráfico de Seres Humanos pediu  para que Irlanda pudesse melhorar as investigações, processos e condenações. A Irlanda foi convidada a considerar o aprimoramento das medidas de proteção às vítimas, a cooperação com a sociedade civil, a concessão de autorizações de residência temporária e o processo de retorno seguro e repatriação para o país de origem das vítimas. Isso destaca o fato de que há um número considerável de áreas que precisam ser abordadas no contexto irlandês.

 

 

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